Ano VIII › Número 334 › 10 de Agosto à 13 de Agosto de 2007
Opinião Pública
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“Temos uma Câmara moderna e vamos organizar o sistema para atender melhor a população”, diz Betão

Texto e foto: Dênis T. Cavalcante

A nova Câmara de Mauá recebeu, no dia sete, a sessão de reinício dos trabalhos do Legislativo após o recesso. Segundo o presidente da Câmara, Alberto Betão Pereira Justino (PSB), nem mesmo o protesto solitário feito durante os trabalhos apagou o brilho da festa de estréia da nova Casa. “Foi uma manifestação injusta”, diz ele, se referindo a um cartaz exposto por um munícipe. Alguns jornais regionais atribuíram ao presidente uma frase que, segundo Betão, ele não teria dito. “Foi uma insistência deles (imprensa) em fazer uma crítica que não é verdadeira. Eu falei uma coisa e foi retirado apenas o que interessou”, conta. Em entrevista ao Opinião Pública, Betão fala da reinauguração do prédio e do manifesto.

Opinião Pública – Durante a cerimônia que marcou o reinício dos trabalhos do Legislativo e a primeira sessão no novo prédio, um munícipe circulou pelas galerias com uma faixa de repúdio contra uma frase atribuída ao senhor...
Alberto Betão – Esse senhor, o Raul (Corrêa, presidente da Associação Ami-gos do Bairro Itapark e que circulava com a placa), já é uma peça folclórica da Câmara de Mauá. Ele está em todas as sessões, participan-do e, algumas ve-zes, chega até a atrapalhar o anda-mento dos trabalhos.

OP – Mas ele comentava uma frase que jornais da região atribuíam ao senhor de que “lugar de atender o povo é na rua”. Até que ponto isso é veradade?
AB – Não é intenção da presidência ou dos assessores proibir ou diminuir a presença de pessoas na Câmara. Eu falei de organizar na Câmara um sistema de atendimento. O antigo prédio não suportava 50 ou 60 pessoas de uma vez e sabemos que alguns vereadores marcam dias especiais para atendimento. Agora nós temos um espaço para atender o público. Quanto à essa frase, eu disse que o vereador não pode apenas atender no gabinete, mas também nas ruas, na casa das pessoas, em hospitais, enfim, onde for chamado. Vereador tem que estar sempre em contato com o povo. Infelizmente a imprensa pegou apenas o que interessava a ela. Tanto não é nossa intenção barrar a entrada da população, como agora temos um espaço para projetos culturais e uma galeria que comporta 240 pessoas, antes eram apenas 100 lugares para os munícipes.

OP – Mas a galeria acima do plenário não acaba prejudicando o contato com a população?
AB – Hoje nós temos uma Câmara moderna, com um projeto de enge-nharia desenvol-vido especialmente para isso. Quem cri-ticou esse sistema é porque esquece que temos exem-plos assim em San-to André, São Ber-nardo, São Paulo, na Câmara dos De-putados e até no Senado. O que acontece é que es-tamos acostuma-dos com o modelo antigo, mas hoje temos um prédio moderno e que foi planejado para ser uma Câmara de Vereadores.

OP – Durante a cerimônia, o senhor disse que não foi uma reinauguração, mas sim um início dos trabalhos...
AB – A Câmara foi inaugurada em dezembro de 2006, pelo então presidente Diniz Lopes. Ele decidiu inaugurar mesmo com algumas pessoas dizendo que estava sem condições e eu respeito isso.

OP – Mas passou um bom tempo até que os trabalhos fossem iniciados no novo prédio e, mesmo assim, algumas partes estavam em reforma. O senhor acha que foi o momento propício para o início dos trabalhos?
AB – Se eu quisesse começar o ano Legislativo lá eu poderia, da mesma forma que poderia esperar até janeiro do próximo ano. Não existia uma data determinada para começar. Apenas decidi esperar um pouco, pois tivemos uma época de fortes chuvas e festas, como a Festa Junina, que acabaram atrapalhando. Porém, com o recesso, os funcionários da Casa nos ajudaram e conseguimos fazer a mudança a tempo.

OP – O Legislativo precisou injetar dinheiro na construção?
AB – Claro. Todo mundo que muda de casa precisa fazer algumas adaptações, como colocação de ar condicionado e adequação dos banheiros. Então precisamos sim gastar um pouco.

OP – Mas essas obras não deveriam estar no projeto inicial?
AB – Não vou entrar no mérito do projeto, pois ele foi concebido pelo ex-prefeito Oswal-do Dias e não por mim, então deveria ter sido discutido isso naquela época.

OP – Se fosse apresentada agora, o senhor aceitaria a proposta?
AB – Não vou discutir esse lado. Naquela época foi apresentada pela administração uma parceria e as bolsas de estudo oferecidas seriam de grande valia para a municipalidade. O projeto foi aprovado e tivemos que continuar. Quando cheguei à presidência tinha que fazer funcionar.

OP – Apesar dos imprevistos, como o senhor avalia a sessão?
AB – Foi uma sessão linda. Esti-veram presentes vereadores de Rio Grande da Serra e Ribeirão Pires e outras autoridades. Nós vimos funcio-nários com 30 anos de trabalho na Casa e que sentiram que agora tem uma Câmara de verdade. Até fizemos um café da manhã para eles na quarta-feira, para agradecer o desempenho dos trabalhadores, e podíamos ver a satisfação em todos. Foi uma sessão bem positiva e que vai deixar o dia sete de agosto de 2007 marcado para todos como o início do trabalho na nova Casa.



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